Última atualização: 18/08/2026 às 16:29:00
Em alusão à Campanha "Agosto Lilás", voltada à conscientização e ao combate à violência contra a mulher, o Grupo de Apoio e Assistência às Mulheres da JFPB (GAMS) da Justiça Federal na Paraíba (JFPB) promoveu, nesta terça-feira (18), a Oficina e Roda de Conversa "Marcas nem Sempre Aparecem: Fortalecendo a Autoestima e Autocuidado". O encontro aconteceu na Sala Equilíbrio do Ser, no edifício-sede da instituição, em João Pessoa.
A atividade reuniu magistradas, servidoras, estagiárias, residentes, conciliadoras e colaboradoras terceirizadas da Seccional paraibana em um espaço de escuta e troca sobre um tema que, segundo as organizadoras, precisa permanecer em pauta durante todo o ano, e não apenas em agosto.
Mediado pela juíza federal Amanda Bezerra de Lima, presidente do GAMS, e pela supervisora da Seção de Apoio à Saúde Funcional, Alessandra Regina Castro da Silva, o encontro contou com a participação de Mônica Brandão, coordenadora estadual do Programa Integrado Patrulha Maria da Penha; da Major Gabriela Jácome, comandante estadual da Patrulha Maria da Penha; e da psicóloga Rayanne Cardoso.
Durante a roda de conversa, as convidadas abordaram os diferentes tipos de violência previstos na Lei Maria da Penha — física, psicológica, moral, patrimonial, sexual e vicária — e reforçaram que a violência doméstica nem sempre deixa marcas visíveis. Mônica Brandão chamou atenção para a necessidade de romper com julgamentos em relação às mulheres em situação de violência: “Nenhuma mulher gosta de apanhar. Nenhuma mulher fica dentro de uma relação porque ela gosta daquele abuso que ela sofre”.
A Major Gabriela Jácome destacou o papel das medidas protetivas de urgência na prevenção de casos extremos: "Ano passado, nós tivemos 37 feminicídios, desses 37 feminicídios, nenhuma mulher aqui no estado da Paraíba tinha a medida protetiva de urgência". A comandante também apresentou o funcionamento do Programa Integrado Patrulha Maria da Penha, hoje presente em 151 municípios paraibanos, e explicou que a solicitação de medida protetiva "a princípio, a mulher não precisa provar nada" — bastando o relato da vítima para que a Justiça determine o afastamento do agressor.
O encontro teve ainda um momento dedicado à reflexão sobre autoestima e autocuidado, quando a psicóloga Rayanne Cardoso propôs uma definição do conceito: "autoestima é você saber que, como pessoa, independente do que você faz [...], você merece respeito e dignidade". A profissional também destacou o peso da culpa como um dos sentimentos mais paralisantes entre mulheres em situação de violência.
As participantes compartilharam relatos pessoais durante a roda, reforçando a importância de espaços de acolhimento como este para o fortalecimento coletivo e o combate à naturalização da violência.